27Mai/14

Dizendo adeus a um filho que não cheguei a ter

POR: MirelaCATEGORIA: Antes, Depois, Diversos, Papo de Gestante, Papo de Mãe(54) COMENTÁRIOS

Este mês sem duvida foi um mês cheio de emoções para mim e este é um dos posts que maior dificuldade tive para conseguir escrever, pois quero passar os meus sentimentos para palavras e a palavras estão fugindo de mim, tudo porque nunca pensei um dia ter que escreve-lo.
Dia 6 de Maio, dia que a escola do Matheus escolheu para comemorar o dia das mães, eu descobri que estava grávida!
Sim, eu engravidei e não contei logo aqui para vocês porque queria ter certeza de que tudo estava bem para poder vir contar tranquila, desculpem a “traição” mas eu precisava me resguardar e aqui em casa achamos melhor esperar mais um pouco ate contar para toda a gente. Apenas os nossos familiares souberam desta noticia.
Foi o melhor presente de dia das mães e de aniversário que eu poderia ter recebido, mas desde que meu marido fez o primeiro ultrassom (marido é médico radiologista) que ele dizia não estar com bons feelings, e eu senti também que algo não estava certo.
Devido a minha menstruação ser extremamente irregular, eu não fazia ideia de quanto tempo estava e terminei descobri muito cedo, por isso não conseguimos ver nada no ultrassom durante 3 semanas. Na ultima semana (dia do meu aniversário) eu fiz um Beta e deu que eu estava com quatro semanas. Pense num presente bom. Mas como estávamos com maus feelings, três dias depois eu refiz o exame de sangue e para minha tristeza ele subiu muito, muito pouco o que fazia as suspeitas do meu marido se confirmarem, mas ainda assim, como a minha médica falou que gravidez não é matemática, eu mantive a esperança.
Saulo no segundo ultrassom achou que o saco gestacional estava vazio, que talvez a gravidez não evoluísse, pois meu endométrio estava muito espessado e o saco gestacional além de aparentar estar vazio, estava um pouco irregular e numa posição que aparentava estar se direcionando para sair. Ou seja, a chance de eu menstruar era grande.
Como devem imaginar, foram dias de muita tensão. Queria ficar feliz por estar grávida, mas ao mesmo tempo, além de um turbilhão de emoções e medos que invadiam constantemente a minha cabeça, eu tinha um feeling de que algo não estava bem e isso não me deixava ficar feliz como esperado.
Queria que os dias passassem e a quinta feira chegasse para que eu pudesse voltar a fazer o exame de sangue, e saber se o beta tinha aumentado ou não, mas ontem a minha semana começou com uma surpresa nada agravável:
Minha menstruação deu as caras por aqui, e eu ontem perdi a minha segunda gravidez.
Não posso sequer falar que perdi o meu bebê porque não cheguei a ver feto nenhum, mas posso garantir que perdi um pouquinho de mim.
Apesar dos avisos e do meu marido ter com jeitinho me preparado para isso, nunca consegui me preparar para passar por um aborto e isso me deixou extremamente abalada, triste e com sentimentos um pouco confusos e estranhos para mim.
Sei que tudo na vida é para o nosso bem. Sei também que Deus sabe sempre o que é melhor para nós e que nada acontece por acaso, mas desta vez, todas essas justificações não estão conseguindo justificar o porquê de eu ter perdido a chance de ter tido este filho.
Na minha cabeça, se eu engravidei é porque era para engravidar.
Era porque um espirito estava prontinho para vir e ser gerado por mim… Mas a ultima da hora desistiu, teve medo, ou eu o assustei, não sei! Sei que parece loucura pensar assim, mas é como eu penso e isso não dá para mudar muito.
Sei que não devemos questionar os desígnios de Deus, mas neste momento é mais forte que eu. Um sem numero que perguntas me fazem ficar zonza.
Hoje mesmo eu estava falando para uma amiga minha que não adianta falarem pra mim que talvez tenha sido melhor assim, que Deus sabe o que faz e blá blá blá… é a mesma coisa quando estamos tentando engravidar. Mil pessoas vão dizer que só engravidaremos quando relaxarmos, mas quem está tentando engravidar não tem o poder de ligar e desligar o botão. É o emocional que fala mais alto e por muito que queiramos parar de pensar e seguir em frente com a vida, o cérebro não consegue. Não por agora.
Preciso fazer o meu luto. Preciso digerir muito bem tudo isto. Nunca me imaginei passando por tal situação… Nunca sequer me vi vivendo um luto por “alguém” que eu sequer vi, mas a verdade é que a partir do momento que vi o teste dando positivo, o meu mundo ganhou ainda mais cor e mais sentido e no meu coração, sem eu nem perceber, um espaço novo se abriu e algo o preencheu, tal como aconteceu quando engravidei de Matheus.
Apesar de ter estado muito pouco tempo grávida, apesar de já estar sendo preparada para este fim, esta gravidez foi muito esperada e muito desejada e obviamente a esperança foi a ultima a morrer e confesso que ainda estou aqui, tentando me enganar. Querendo acreditar que este sangramento não está levando o meu filho embora… mas eu sei que está.
Engraçado que eu era louca para ser mãe, e engravidar do Matheus foi a realização do maior sonho da minha vida, mas engravidar de novo, por incrível que pareça me fez sentir todas as emoções como se eu nunca as tivesse sentido.
A verdade é que eu já me sentia mãe de Dois. Já me via com mais um menino (sim eu posso jurar que seria outro menino), e em menos de três semanas eu visualizei um mundo todo novo para mim, para a minha casa, para minha vida e confesso que esse mundo me assustava um pouco, mas ao mesmo tempo me entusiasmava.
Sinto culpa… Acreditem ou não, eu sinto culpa.
Sinto culpa porque no começo da gravidez do Matheus eu rezei mais para protege-lo, porque de Matheus eu me cuidei mais, e não tive medos. Deste eu tive.
Matheus ocupa um espaço tão grande na minha e na vida de tanta gente que tive medo deste novo filho não conseguir ocupar espaço igual.
Durante estas semanas, enquanto estava deitada com Matheus e Saulo na cama, dava por mim pensando como iria colocar ali mais uma criança. Dei por mim me questionando se era uma boa ideia ter mais um filho… Se daria conta de ter dois filhos, mas eram medos julgo comuns a toda a mãe de segunda viagem e eu sabia que tudo não passava da insegurança que o desconhecido sempre trás, mas ainda assim eu queria não ter pensado em nada disso. Queria ter rezado mais, queria ter me cuidado mais, queria ter pensado diferente… Mas agora é tarde.
Espero conseguir ter em breve uma nova oportunidade. Mas por agora eu preciso mesmo é de repousar o corpo e a mente, me isolar um pouco junto com a minha família e aos poucos me recompor para poder voltar para vocês com a mesma alegria de sempre.
Muitas de vocês, não faço ideia porquê, esses dias disse que eu estava com cara de grávida (espero que elogiando rsrs) e cada vez que lia um comentário falando isso, uma nova luz de esperança se acendia em mim e me fazia continuar a acreditar de que talvez a minha gravidez pudesse vingar.
Ficava me segurando para não vir contar aqui para vocês essa novidade, e só Deus sabe como me custou segurar esse “segredo”, mas sem duvida assim foi melhor. Confesso também ter cogitado não contar sobre este desfecho, mas achei que seria injusto para com quem sempre tanto carinho e amizade demonstra ter por mim, e iria um pouco contra a minha já conhecida sinceridade para com vocês, até porque muitas que me seguem já sofreram essa perda e eu precisava mostrar que hoje, mais que nunca eu entendo essa dor.
Ontem o meu bom dia foi especial… O post que dizia “Calma que Deus ta caprichando” foi de mim para mim, mas ainda assim eu não consegui interiorizar as minhas próprias palavras.
Estas coisas só sabe quem passa, e não vale a pena tentar compreender porque só se entende mesmo vivenciando tudo na própria pele.
Ninguém morre por conta disso, até porque isso é mais comum do que a gente imagina, mas o fato de acontecer frequentemente e com mais gente não invalida a minha dor e nem me faz sentir melhor… a verdade é essa.
Vai passar, eu sei que vai, até porque foi muito pouco o tempo que me senti mãe de dois, mas ter que devolver um dos melhores presentes de dia das mães e de aniversário que recebi na vida não foi fácil…

Boa noite meninas, e obrigada pelo carinho, amizade e compreensão de sempre.
Um beijo do tamanho do mundo no coração de vocês!

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19Fev/14

Superando a dor do aborto

POR: MirelaCATEGORIA: Antes, Durante, Papo de Gestante, Papo de Mãe(31) COMENTÁRIOS

Se você já sofreu um aborto, certamente vai dizer que essa foi das coisas mais dolorosas que já viveu. Acho que mulher nenhuma está preparada para passar por essa perda, e de fato, passar por um aborto deve ser bastante difícil. 

Eu nunca sofri um aborto e sinceramente não sei como seria minha reação (muito provavelmente não seria das melhores), mas várias seguidoras me pedem para falar disso aqui e por esse motivo eu decidi pesquisar e escrever um texto para tentar ajudar um pouco quem está passando por essa situação.

Quem nunca teve medo de sofrer um aborto? Acho que esse é o primero medo que a mulher passa a ter quando descobre que está grávida e ele não passa totalemente até que o bebê nasça.

Infelizmente ninguém pode prever se isso vai acontecer ou não e quando acontece, a mulher passa a viver uma montanha russa de emoções, (descrença, raiva, culpa e até dificuldade de concentração) e muitas vezes o impato emocional é bem maior do que o fisico.

Mesmo que a gravidez tenha terminado bem no comecinho, a ligação entre você e o feto provavelmente já era muito forte.

Algumas mulheres têm também sintomas físicos devido ao seu stress emocional. Estes sintomas incluem fadiga, dificuldade em adormecer, dificuldade de concentração, perda de apetite, e frequentes crises de choro além das mudanças hormonais que ocorrem depois de um aborto cujas quais também podem intensificar esses sintomas. Pode ter sido também o seu caso.

Nas minhas pesquisas descobri que o processo de chorar a perda envolve três passos:

1º Passo : Choque/Negação: "Isso não pode estar acontecendo comigo. Eu tive tanto cuidado comigo.”

2º Passo: Raiva/Culpa/Depressão: "Porquê eu? Eu deveria…." "Eu sempre quis um bebé,  não é justo. Nunca me senti tão triste na vida."

3º Passo: Aceitação: "Vou ter que aprender a lidar com isto, não fui a primeira e infelizmente não serei a ultima a passar por esta situação. Se outras mulheres conseguiram ultrapassar eu também vou conseguir, nem que precise de ajuda.”

Cada passo demora mais tempo a surgir do que o anterior. Existem desenvolvimentos inesperados que podem fazer regredir estes passos, como receber a notícia que alguém está grávida, ouvir uma história de um nascimento de um bebé, ver bebés recém-nascidos, visitas ao ginecologista, ver uma mãe amamentando, ouvir comentários descuidados dos familiares, ferias, reuniões de família…

Respeite suas necessidades e limitações enquanto passa por esse desgosto e comece o processo de cura.

  •  Esteja mais perto do seu marido. Peça a sua compreensão, conforto e apoio.
  • Procure algum terapeuta para que possam ultrapassar a situação com ajuda; esse não e um momento para ser vivido a sós.
  • Permita-se chorar e recordar o tempo que achar necessário.

Geralmente as mulheres conseguem se expressar mais facilmente e estão mais abertas a aceitar quem as queira ajudar do que os homens. Eles muitas vezes recusam-se a partilhar os seus sentimentos ou a procurar ajuda para ultrapassa-los. Isto não significa que eles não sintam a perda. Muitas vezes eles enfiam a cara no trabalho a fim de tentar ultrapassar essa situação que também lhes custou bastante. Acredite.
Você sabe que a ligação entre mãe e filho começa bem primeiro do que a relação pai e filho. A mulher muito provavelmente começa a ter um laço com o seu bebê a partir do primeiro teste positivo, já o pai pode começar a ter essa ligação apenas quando vir sinais físicos da existência desse bebê (vê-lo no ultrassom ou sentir um chute, por exemplo), contudo o verdadeiro laço de afeto poderá não se desenvolver até ao bebé nascer. É por isso que o homem parece que fica menos perturbado quando existe um aborto no início da gravidez e esse comportamento pode até gerar distúrbios na relação do casal.
No entanto, pode ajudar a sua relação a sobreviver se:

  •  For respeitadora e sensível para com os sentimentos e necessidades dos dois;
  •  Partilhar os seus pensamentos e emoções mantendo sempre a linha de comunicação aberta;
  •  Aceitar que você e o seu marido sofrem mas cada um lida com o sofrimento de maneira diferente.

Recupere-se! Recuperar não significa esquecer. Não significa apagar da memória esse filho que viveu pra você. Recuperar significa seguir em frente.

Segue algumas coisas que você pode fazer para se recuperar mais rápido.

  •  Tente conheçer os fatos e as razões porque isso aconteceu e potenciais implicações para o futuro. Procure respostas para as suas questões.
  •  Tome decisões sobre o que gostaria de fazer com os seus objetos de maternidade e com os do bebé caso já tivesse algumas coisas. Provavelmente alguém vai querer fazer isso por você. Em vez disso, peça a esse alguém que a ajude mas que não faça nada sem que você não queira ou saiba.
  •  Evite situações que você consiga prever que não serão agradáveis. Trace objetivos. Viva cada dia de cada vez.
  •  Tire tempo para chorar e para fazer seu luto. Essa fase não pode ser apressada, cada um tem o seu ritmo e a sua capacidade de ultrapassá-la.
  •  Procure ajuda mesmo que você não admita que esteja precisando. Se notar que as coisas ficaram fora de controlo ou que você está realmente abalada com a situação, considere procurar um psicológico para ajudá-la a passar esta fase.
  •  Não deixe que a tristeza se apodere de você. Ainda que tenha todo o direito a fazer o seu luto, não deixe que a tristeza tome conta da sua vida. Lembre-se que outras mulheres sobreviveram a esse momento e que com o passar do tempo você também vai conseguir. Faça atividades divertidas que lhe provoquem alegria e bem-estar. Se lembre que ter momentos de alegria não é ofensivo para a sua perda.

Lembre-se que tudo nesta vida tem um porquê. Nada é por acaso. A sua hora vai chegar, acredite, e você ainda vai viver muitas alegrias. Como dizia Didi: Aguarde e confie!

 

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Bjoos

Mirela

 

 

 

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