10Set/14

Manter a moral ás vezes pode doer

POR: MirelaCATEGORIA: Confessionário, Diversos, Papo de Mãe(10) COMENTÁRIOS

Sabe aquele momento que você perde o controle e exagera na forma como briga com o seu filho?
Acho que toda a mãe já viveu nesse instante…
E como dói!
Como dói errar e ter que segurar a postura mesmo sabendo que exagerou… Como dói ter que encarar de frente a realidade de saber que seres humanos erram, mães são seres humanos, logo erram também.

Hoje eu exagerei… Errei, me arrependi e não pude pedir desculpa porque de certa forma o meu erro foi para educar, mas sei que exagerei e se pedisse desculpa deitaria por água a baixo o pouco benefício que aquele exagero pode trazer.
A teimosia é o que me faz tirar mais do sério e Matheus é teimoso como eu nunca vi na vida.
Faz uma vez, é avisado que não pode, faz que não ouve e repete sei lá quantas mais vezes. Na maioria eu consigo contornar, distrair e corrigir, mas tem hora que a paciência tá lá na casa de chapéu por mil e um motivos e é nessa hora que vem explosão e a cagada acontece.
Hoje eu explodi e a minha mão estralou na mão dele acompanhada de um firme e sonoro “já falei que NÃO!”
No mesmo instante que escutei o estalo, escutei também o peso da consciência gritar comigo mesma!
Caramba, na mesmo hora quis voltar atrás e abraçá-lo para pedir desculpa pela péssima atitude que tinha tomado, mas não pude fazê-lo porque senão não iria aproveitar nada benéfico dali… tipo, já que tinha feito a besteira, voltar atrás seria maior besteira ainda.
Antes que falem, aprendi a ser contra a palmada, ou melhor, o meu filho me ensinou a ser contra e não tenho problema algum em pedir desculpa quando erro e peço todas as vezes que forem necessárias, até porque acho um ótimo ensinamento para ele, mas tem hora que não posso mostrar que errei pois perco aquele negócio tão difícil de conquistar e tão fácil de perder: A moral!

É, não é fácil ser “humãe”!

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27Mai/14

Dizendo adeus a um filho que não cheguei a ter

POR: MirelaCATEGORIA: Antes, Depois, Diversos, Papo de Gestante, Papo de Mãe(54) COMENTÁRIOS

Este mês sem duvida foi um mês cheio de emoções para mim e este é um dos posts que maior dificuldade tive para conseguir escrever, pois quero passar os meus sentimentos para palavras e a palavras estão fugindo de mim, tudo porque nunca pensei um dia ter que escreve-lo.
Dia 6 de Maio, dia que a escola do Matheus escolheu para comemorar o dia das mães, eu descobri que estava grávida!
Sim, eu engravidei e não contei logo aqui para vocês porque queria ter certeza de que tudo estava bem para poder vir contar tranquila, desculpem a “traição” mas eu precisava me resguardar e aqui em casa achamos melhor esperar mais um pouco ate contar para toda a gente. Apenas os nossos familiares souberam desta noticia.
Foi o melhor presente de dia das mães e de aniversário que eu poderia ter recebido, mas desde que meu marido fez o primeiro ultrassom (marido é médico radiologista) que ele dizia não estar com bons feelings, e eu senti também que algo não estava certo.
Devido a minha menstruação ser extremamente irregular, eu não fazia ideia de quanto tempo estava e terminei descobri muito cedo, por isso não conseguimos ver nada no ultrassom durante 3 semanas. Na ultima semana (dia do meu aniversário) eu fiz um Beta e deu que eu estava com quatro semanas. Pense num presente bom. Mas como estávamos com maus feelings, três dias depois eu refiz o exame de sangue e para minha tristeza ele subiu muito, muito pouco o que fazia as suspeitas do meu marido se confirmarem, mas ainda assim, como a minha médica falou que gravidez não é matemática, eu mantive a esperança.
Saulo no segundo ultrassom achou que o saco gestacional estava vazio, que talvez a gravidez não evoluísse, pois meu endométrio estava muito espessado e o saco gestacional além de aparentar estar vazio, estava um pouco irregular e numa posição que aparentava estar se direcionando para sair. Ou seja, a chance de eu menstruar era grande.
Como devem imaginar, foram dias de muita tensão. Queria ficar feliz por estar grávida, mas ao mesmo tempo, além de um turbilhão de emoções e medos que invadiam constantemente a minha cabeça, eu tinha um feeling de que algo não estava bem e isso não me deixava ficar feliz como esperado.
Queria que os dias passassem e a quinta feira chegasse para que eu pudesse voltar a fazer o exame de sangue, e saber se o beta tinha aumentado ou não, mas ontem a minha semana começou com uma surpresa nada agravável:
Minha menstruação deu as caras por aqui, e eu ontem perdi a minha segunda gravidez.
Não posso sequer falar que perdi o meu bebê porque não cheguei a ver feto nenhum, mas posso garantir que perdi um pouquinho de mim.
Apesar dos avisos e do meu marido ter com jeitinho me preparado para isso, nunca consegui me preparar para passar por um aborto e isso me deixou extremamente abalada, triste e com sentimentos um pouco confusos e estranhos para mim.
Sei que tudo na vida é para o nosso bem. Sei também que Deus sabe sempre o que é melhor para nós e que nada acontece por acaso, mas desta vez, todas essas justificações não estão conseguindo justificar o porquê de eu ter perdido a chance de ter tido este filho.
Na minha cabeça, se eu engravidei é porque era para engravidar.
Era porque um espirito estava prontinho para vir e ser gerado por mim… Mas a ultima da hora desistiu, teve medo, ou eu o assustei, não sei! Sei que parece loucura pensar assim, mas é como eu penso e isso não dá para mudar muito.
Sei que não devemos questionar os desígnios de Deus, mas neste momento é mais forte que eu. Um sem numero que perguntas me fazem ficar zonza.
Hoje mesmo eu estava falando para uma amiga minha que não adianta falarem pra mim que talvez tenha sido melhor assim, que Deus sabe o que faz e blá blá blá… é a mesma coisa quando estamos tentando engravidar. Mil pessoas vão dizer que só engravidaremos quando relaxarmos, mas quem está tentando engravidar não tem o poder de ligar e desligar o botão. É o emocional que fala mais alto e por muito que queiramos parar de pensar e seguir em frente com a vida, o cérebro não consegue. Não por agora.
Preciso fazer o meu luto. Preciso digerir muito bem tudo isto. Nunca me imaginei passando por tal situação… Nunca sequer me vi vivendo um luto por “alguém” que eu sequer vi, mas a verdade é que a partir do momento que vi o teste dando positivo, o meu mundo ganhou ainda mais cor e mais sentido e no meu coração, sem eu nem perceber, um espaço novo se abriu e algo o preencheu, tal como aconteceu quando engravidei de Matheus.
Apesar de ter estado muito pouco tempo grávida, apesar de já estar sendo preparada para este fim, esta gravidez foi muito esperada e muito desejada e obviamente a esperança foi a ultima a morrer e confesso que ainda estou aqui, tentando me enganar. Querendo acreditar que este sangramento não está levando o meu filho embora… mas eu sei que está.
Engraçado que eu era louca para ser mãe, e engravidar do Matheus foi a realização do maior sonho da minha vida, mas engravidar de novo, por incrível que pareça me fez sentir todas as emoções como se eu nunca as tivesse sentido.
A verdade é que eu já me sentia mãe de Dois. Já me via com mais um menino (sim eu posso jurar que seria outro menino), e em menos de três semanas eu visualizei um mundo todo novo para mim, para a minha casa, para minha vida e confesso que esse mundo me assustava um pouco, mas ao mesmo tempo me entusiasmava.
Sinto culpa… Acreditem ou não, eu sinto culpa.
Sinto culpa porque no começo da gravidez do Matheus eu rezei mais para protege-lo, porque de Matheus eu me cuidei mais, e não tive medos. Deste eu tive.
Matheus ocupa um espaço tão grande na minha e na vida de tanta gente que tive medo deste novo filho não conseguir ocupar espaço igual.
Durante estas semanas, enquanto estava deitada com Matheus e Saulo na cama, dava por mim pensando como iria colocar ali mais uma criança. Dei por mim me questionando se era uma boa ideia ter mais um filho… Se daria conta de ter dois filhos, mas eram medos julgo comuns a toda a mãe de segunda viagem e eu sabia que tudo não passava da insegurança que o desconhecido sempre trás, mas ainda assim eu queria não ter pensado em nada disso. Queria ter rezado mais, queria ter me cuidado mais, queria ter pensado diferente… Mas agora é tarde.
Espero conseguir ter em breve uma nova oportunidade. Mas por agora eu preciso mesmo é de repousar o corpo e a mente, me isolar um pouco junto com a minha família e aos poucos me recompor para poder voltar para vocês com a mesma alegria de sempre.
Muitas de vocês, não faço ideia porquê, esses dias disse que eu estava com cara de grávida (espero que elogiando rsrs) e cada vez que lia um comentário falando isso, uma nova luz de esperança se acendia em mim e me fazia continuar a acreditar de que talvez a minha gravidez pudesse vingar.
Ficava me segurando para não vir contar aqui para vocês essa novidade, e só Deus sabe como me custou segurar esse “segredo”, mas sem duvida assim foi melhor. Confesso também ter cogitado não contar sobre este desfecho, mas achei que seria injusto para com quem sempre tanto carinho e amizade demonstra ter por mim, e iria um pouco contra a minha já conhecida sinceridade para com vocês, até porque muitas que me seguem já sofreram essa perda e eu precisava mostrar que hoje, mais que nunca eu entendo essa dor.
Ontem o meu bom dia foi especial… O post que dizia “Calma que Deus ta caprichando” foi de mim para mim, mas ainda assim eu não consegui interiorizar as minhas próprias palavras.
Estas coisas só sabe quem passa, e não vale a pena tentar compreender porque só se entende mesmo vivenciando tudo na própria pele.
Ninguém morre por conta disso, até porque isso é mais comum do que a gente imagina, mas o fato de acontecer frequentemente e com mais gente não invalida a minha dor e nem me faz sentir melhor… a verdade é essa.
Vai passar, eu sei que vai, até porque foi muito pouco o tempo que me senti mãe de dois, mas ter que devolver um dos melhores presentes de dia das mães e de aniversário que recebi na vida não foi fácil…

Boa noite meninas, e obrigada pelo carinho, amizade e compreensão de sempre.
Um beijo do tamanho do mundo no coração de vocês!

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