17Out/13

O meu caso com a babá que nao é bem babá

POR: MirelaCATEGORIA: Confessionário, Papo de Mãe(12) COMENTÁRIOS

Tem já um tempo que quero preparar este post. Pensei e repensei um montão de vezes nele mas agora enquanto Matheus dorme, depois de uma aventura no supermercado agora de tarde comigo, com Rosa e com Matheus, resolvi que, de hoje nao podia passar,

Gente do céu, como é estranho este meu sentimento por Rosa, (Rosa é a fada do meu lar, a minha funcionária, o meu braço direito e esquerdo).

Quando estava grávida de uns sete meses, começou a bater o desespero com relação ao futuro da minha casa. Até ali eu tinha segurado a onda sem nenhuma ajuda, mas sabia que quando Matheus nascesse a coisa não iria ficar fácil para o meu lado, e com certeza quem iria sofrer mais seria sem duvida o meu marido, que almoça e janta todos os dias em casa, junto comigo.

Um dia, quando eu já havia perdido a esperança, uma amiga me liga e pergunta: “Mi, estas precisando de alguém para trabalhar e te ajudar com Matheus quando ele nascer?”

Na hora o coração acelerou e eu quase grito em tom de desespero que sim, e no dia seguinte Rosa apareceu.

Tímida mas ao mesmo tempo falante. Na mesma hora gostou de Pepeu, o cachorro da casa e isso para mim contava muito. Eu sabia que Pepeu iria precisar de alguém que lhe desse atenção, que continuasse com seus passeios diários e é claro, a casa!

Eu precisava de alguém que me ajudasse com a casa.

A primeira coisa que ela disse, foi que a vida toda havia trabalhado como babá e senti um misto de entusiasmo com esperança no tom de voz dela, ao que na mesma hora lhe avisei que não tinha intenção de ter babá e que precisava dela para cuidar da minha casa, pois eu iria focar  100% no meu bebé. Ela fez um biquinho com a boca, mas acho que gostou de mim e eu gostei dela por isso ela ficou!

Dois meses trabalhando comigo, e eu consegui sentir o quanto ela gosta de crianças e o quanto ela começou a gostar de Matheus, sem ele ainda ter nascido.

Matheus nasceu e quando Rosa o conheceu, vi rolarem soltas, lágrimas de emoção! Aquilo para mim foi inesquecível.

Ela cuidou de mim com imenso carinho e curiosamente, nunca me pediu para pegar nele. Sempre respeitou o meu espaço, não deixando de estar presente sempre que precisei, e confesso que isso me fez gostar mais e mais dela.

Rosa sempre dizia: “Dona Mirela, quando ele tiver mais “durinho”, quando ele  tiver uns cinco seis meses, a senhora deixa eu pegar nele?” Eu ria e respondia que sim, mas no fundo eu tinha ciúmes e não queria que esse dia chegasse… sabe Deus por quê.  Acho que é coisa de mãe de primeira viagem, não sei, só sei que esse dia chegou e quando ela o pegou, foram mais lagrimas (dela).

Ela estava oficialmente encantada por ele.

De vez em quando ela pegava nele, e quando pegava, num segundo ele dormia no colo dela. Aquilo me deixava num misto de emoções. Ao mesmo tempo em que sentia ciúmes, sentia alivio, pois me dava descanso e naquela altura, tudo o que eu queria era cinco minutos de descanso.

O tempo foi passando e eu continuei cuidando de Matheus sozinha. De vez em quando pedia para ela ficar enquanto eu tomava banho, ou enquanto eu comia, não mais que isso, mas como ficava o tempo todo em casa com ele e ela sempre estava presente, ele foi se acostumando com a presença dela e fazendo festa sempre que a via.

Quando Matheus começou a andar eu entreguei os pontos!

Matheus me deixava completamente exausta. Era um vai e vem danado e eu estava começando a querer voltar a cuidar de mim e das minhas coisas. Então comecei a ganhar mais confiança em Rosa, e certo dia, consegui sair e deixa-los sozinhos em casa.

Custou mesmo foi a primeira vez! Depois  vi que ele ficava bem sempre que eu chegava e comecei a relaxar e a confiar mais ainda nela. Só que o negócio começou a ficar puxado por aqui. Matheus e a casa deixavam duas pessoas de cabelos em pé e com um ano e um mês ele entrou na escola.

Rosa sentiu ciúmes da escola e chegou a me pedir para eu colocar alguém para cuidar da casa, para ela ficar com ele (virar a babá dele), mas da escolinha eu não abri mão e com o tempo ela se acostumou, no entanto, sempre que ele chega da escola, para ela matar as saudades, pede-me sempre pra ficar com ele uma hora. E eu aproveito essa hora para terminar o meu trabalho (estaria neste momento escrevendo este post nessa hora, se ele não tivesse dormido).

Rosa, uma mulher de 40 anos, nunca foi casada, nunca teve filhos e morou até bem tarde com a mãe. É uma menina! Costumo brincar com ela dizendo que ela é uma “muleca”.

Ri alto mas ri engraçado,  faz graça, é bem disposta mas se lhe disserem alguma coisa que não seja do seu agrado, emburra e assim fica por umas horas.

Tem dias que eu acho que se pudesse jogava-a da janela, mas na grande maioria, Rosa é insubstituível e tremo só de pensar que um dia ela pode querer ir embora.

Mas este post não era para ser tão dedicado a “nossa Rosa” como terminou sendo.

Este post era para falar das “Rosas” na nossa vida.

Como é impressionante a paciência infinita delas. Como elas sabem muitas vezes fazer certas coisas, dentro do pouco conhecimento geral que tem, que muitas mães não conseguem. Eu mesma, sim, eu mesma tenho horas que perco a paciência, e não quero brincar… não estou disposta. Muitas vezes não sei como fazer para que ele coma (agora que ele deixou de comer bem) e com ela ele raspa o prato. Tanta coisa que Rosa muitas vezes me supera e que me fazem deitar na cama e chorar pela culpa que sinto em não conseguir ser uma ROSA.

A Rosa sempre consegue faze-lo dormir rápido e quando ele não quer dormir, sempre está disposta a brincar com ele atééé que ele se canse. A Rosa, a santa Rosa como lhe chamo, está sempre com atenção a tudo o que ele faz, consegue fazer mil coisas ao mesmo tempo e ainda assim fazer com que ele se comporte e não se machuque, e por tudo isso e muito mais, tem dias que eu queria não ter Rosa… fico com ciúmes eu acho!

Não ter Rosa, faria com que eu pudesse me esforçar mais e pudesse me superar, mas a presença dela não deixa, e não é porque ela se mete… é porque eu sempre termino chamando… confesso!

Terminei me acostumando a tê-la por perto sempre me dando um apoio quando preciso e como é maravilhoso esse apoio. Ele sempre me permite ter mais tempo para as minhas coisas, sempre me permite estar frente o meu filho com melhor cara, sem ficar tão cansada quanto ficaria se ficasse o tempo toda grudada nele.

Mas aí chega o final de semana e eu viro “a Rosa”, e Matheus fica tão mais perto de mim, e eu fico tão mais perto dele, da minha casa, e a minha vida fica tão mais sob o meu controle, tão mais ligth… e eu gosto tanto dessa sensação! E nessas horas, dou por mim me questionando no silêncio – "será que não seria melhor voltar a ser eu, meu marido, a casa e agora o Matheus?" 

Mas o final de semana termina, chega a segunda feira, a Rosa volta e eu concluo sempre a mesma coisa:

“Naaaa”, o meu lugar tá garantido e eu não saberia viver sem ela. Não agora! Não tao cedo!

 

 

 

 

     
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    12 comentários

    12 Comentários

    Bruna

    17 de Outubro de 2013 às 15:27Responder

    Ahhh, não se preocupe, você não está só… Passo pelos mesmos dilemas e finalmente ele chegou numa fase que SÓ QUER A MÃE e isso me conforta demais, me enche de alegria, saber que mesmo ele tendo uma ROSA, por mais que adore, a mãe é a mãe!!!!

      Mirela

      17 de Outubro de 2013 às 17:01Responder

      É como aqui. :D

      Ele pode dar mil voltas com ela, que no fim ele quer mesmo é a mamãe aqui rsrs e isso me conforta taaaanto!!! 

      Bjooos

        Renata

        17 de Outubro de 2013 às 21:08Responder

        Nossa !!! Tirou as palavras da minha boca :) amei !!!

        Isabela

        18 de Outubro de 2013 às 0:38Responder

        Faz muitoo tempo que te sigo e sempre esperei por esse tema. Já pedi print tb. Sou médica e trabalho demais, inclusive a noite. Qd precisei voltar a trabalhar com 4 meses senti uma angustia muito grande mas nunca tive duvidas sobre a babá dele afinal ela ja trabalha 10 anos comigo qd eu ainda morava sozinha, é tdo pra mim. Vivo na correria tentando ficar mais com ele mas da mesma forma as vezes to cansada pra brincar. Ele a ama e eu agradeço a Deus por isso mas aindo choro muito de ciúmes qd ele desespera pra ir no colo dela, morre de rir com ela e só tem 11 meses, brincam de tudo mesmo. Final de semana que grudo nele minha agonia passa pq ele gruda em mim. Que bom que escreveu sobre isso! Me sinto péssima de sentir ciumes, vivo num mix de sentimentos, as vezes acho q ele nao sabe q sou eu a mae, passa um pouco ele vem deitar no meu peito e eu ja sinto alivio. É bom poder falar desses sentimetos até egoístas,minha baba faz um relatorio diari de tdo do dia-dia dele e sempre escreve pra ele que vai fazer por ele o q nao fez pelos filhos que tb sao pquenos pois tb trabalhava. Como ter ciúmes de um amor desses por seu próprio filho? Só uma mãe insegura como eu!

    Thays

    17 de Outubro de 2013 às 20:16Responder

    Esqueceu do Pepeu no final! Rsrs Que sorte a sua e a da Rosa.

    Marilia

    17 de Outubro de 2013 às 20:24Responder

    Ai meu Deus! Me emocionei porque tenho uma “Rosa” aqui. Ela também pediu a mesma coisa em relação ao berçário, mas agi como vc! O resto da história bem semelhante também! E graças a Deus que existem as “Rosas”! Porque apesar de rolar um ciuminho, mesmo, de vez em quando, não tem páreo pra mae! Beijos!

    Márcia Sampaio Maboni

    18 de Outubro de 2013 às 2:20Responder

    Nossa como me identifiquei agora. Sou mãe de três lindos filhos. Um rapaz, João Paulo de 14 anos, uma linda mocinha, Gabriela de 11 anos e a nossa bebê, Ana Luiza, de 01 ano e 11meses.
    Tive uma “Rosa” durante 09 anos e chegou o momento em que eu decidi ser eu mesma a mãe de meus filhos. Por puro ciúmes, ofereci a ela um trabalho em nossa empresa. E voltei a cuidar de meus filhos sem ajuda de ninguém e larguei o trabalho por causa disso.
    Quando a Ana Luiza estava por vir, decidimos que deveriamos ter alguém pra ajudar em casa. E sempre que alguem aparecia, eu logo dizia que não queria babá, queria alguém pra ajudar em casa. Conseguimos uma pessoa super querida, uns dois meses antes de Ana Luiza nascer, ficou conosco um pouco mais de um ano. Não deu certo justamente porque ela focava toda sua energia na Ana Luiza.
    Graças a Deus conseguimos uma “Rosa” maravilhosa, chamada Creuza. Sabe seu espaço, ama a Ana Luiza, cuida muito bem da casa, da comida e quando preciso, mesmo a Ana Luiza já indo pra escolinha, me dá uma super força com ela. Como elas conseguem?

    Beijos!

    Dramilly

    18 de Outubro de 2013 às 16:59Responder

    Mirela, meu bebê tem 5 meses e eu tenho que me ausentar de casa pois tenho comércio… Ele ama a Rita e ela se parece bastante com a descrição da Rosa, mas as perninhas sacodem e o sorrisão abre é mesmo comigo…
    Não deixamos de ser super mães porque temos coisas a fazer sem ser girar em torno de nossos filhos… Vc é uma mãe 10… E eu tb!! haha
    Bjoo

    From Mom To Moms

    22 de Outubro de 2013 às 8:44Responder

    Eu Ja fui o “Matheus “, minha mae tambem voltou a trabalhar quando eu so tinha 2 meses. As circunstancias eram outra com minha mae e tina dias que ela trabalha de dia e de noite. Gracas a Deus por um casal “anjo” que apareceu na vida da minha mae para ajuda-la. Minha mae foi mae solteira e nao tinha ninguem para ajuda-la, entao Deus enviou esse Casal chamado Senhor “Nena” e Senhora “Zeze”. Zeze era esteril e nunca teve filhos. Eu ficava com eles desde bebezinha para minha mae trabalhar, eles me colocavam pra dormir, brincavam comigo, e fazia todos os meu gostos. Quando minha mae chegava as vezes no meu da madrugada me pegava para passar o resto da noite. Eu fui crescendo e eles me ensinaram a chama-los de pai e mae de criacao e claro. A principio paracesse que minha mae nao importava, ou se importava o que ela ia fazer? ela precisava da ajuda deles. Eu fui crescendo e minha mae ja nao precisava deles para cuidar de mim tempo integral, mas eu ja havia me apegado com eles. Continuava chamando eles de pai e mae. Ai onde comecou o shock em minha mae, ela comecou a ter ciumes e querer me afastar deles, porem ja era tarde, quanto eles quanto eu ja nos amavamos demais para isso acontecer. Minha mae mudou de estado e nao adiantou, eu continuava ligando pra eles, e nas minha ferias eu sempre queria ir ficar com eles, e ela deixava.
    Enfim aos 12 anos mudamos para os Estados Unidos e ai foi a maior dor que tive em toda a minha vida. Parece que estava rancando um pedaco do meu coracao. Nao quis me despedir da mae Zeze porque o pae Nena ja havia falecido no anto anterior. Na verdade eu nem falei com ela que viria embora porque sabia que nos iriamos sofrer muito.
    Mas pra resumir, ate hoje eu com 26 anos e ja tenho hoje minhas filhas, a chamo de MAE ZEZE, ligo pra ela, mando presentes, ligo no dia das maes, e nada e ninguem tirou esse espaco dela dentro do meu coracao.
    Minha mae hoje em dia e super de boa, hj eu como mae sei o que ela sentiu, mas eu tambem sei o que eu senti como crianca, pois tudo o que uma crianca que e ser amada, e eles me amaram de todo o coracao como se eu fosse realmente a filha deles.
    Minha mae legitima e minha mae e nada muda isso, amo ela com todo meu coracao e entendo que as circunstancia no momento fez com ela nao tivesse escolha, mas na verdade Deus nao poderia ter feito algo melhor, pois eles cuidaram de mim como ninguem cuidaria. No meu coracao e assim, tenho espaco para as 2 amo elas de todo meu coracao, e elas me amam de volta.
    bjao

    Thaís Ferri Saade

    24 de Outubro de 2013 às 12:39Responder

    Nossa, confesso que me emocionei tanto, que até chorei!!! Conseguiu escrever exatamente como me sinto…mais a nossa diferença é até preocupante…as vezes penso que sem ela seria impossível eu agüentar tudo que me rodeia, minha filha, marido, casa, trabalho e eu né…pq tb conto!!! rs Voltei a trabalhar tem 3 dias…fico sempre com o coração na mão…e ela, nosso Filha de 3 meses fica com a Mí, meu braço e pernas!!!!

    Karyne vergetti

    28 de Outubro de 2013 às 14:09Responder

    Nossa!!! Como é igual a mim… A minha é quitéria! Tbm erámos só eu e meu marido e só tinha diarista! Engravidei e com 7 meses e depois de muita procura, uma amiga tbm me ligou!!! Fui buscar ela no mesmo dia!! Rafinha nasceu e no começo foi igual!!! Nem pensava nela pegando naquele ser tão pequeninho… Até que um dia, ele acordou na hora do almoço e ele se ofereceu pra ficar… Fiquei meio assim, mas, com ele mais durinho e ela ficando na minha frente…. Deixei!! E surpresaa!!! Ela tem um super jeito e tbm ama ele!! Rafinha ainda tem 4 meses, mas, já percebo o quanto ele gosta dela e o quanto ela já sabe lidar com ele e seus pantinhos! Ele ainda é bem novinho, mas, fico pensando e acho que não vou ter coragem de deixá-lo com ela sozinho nem tão cedo!! Apesar de perceber que ela gosta dele! A gente ouve cada história por aí né? Espero que ela evolua pra uma Rosa da vida!! Bjos!!

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