Educando meninos e meninas para um novo mundo

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Faz tempo que venho pensando sobre este assunto.

Acho que antes mesmo de ter tido o Matheus, eu já revia conceitos de educação, e já pensava como poderia fazer para que ele fosse educado para viver confortável na nova sociedade em que vivemos.

Para quem não sabe, sou Portuguesa, moro aqui só há 4 anos (um dia conto minha história), e em Portugal não temos empregadas para nada. Desde pequenas, somos ensinadas a fazer tudo para que futuramente possamos cuidar do nosso lar sozinhas.

Coincidentemente quando engravidei, 3 primas minhas engravidaram também. Todas moram lá, só eu moro aqui e por esse motivo, só eu tenho o privilégio de ter uma empregada que me ajuda com as coisas da casa enquanto eu posso cuidar do Matheus, enquanto elas lá tem que se virar sozinhas com tudo.

Uma delas, tem um menino de 5 anos, e cuida da casa, do marido, dos 2 filhos e ainda trabalha, tudo sozinha! Como??? Vocês perguntam! Nem eu sei. Sei que cedo os meninos foram para a escolinha, onde ficam o dia todo e quando ela sai do trabalho, vai busca-los, chega em casa e o marido é obrigado a ficar com os filhos para que ela possa cuidar do jantar (quando está disposto).

Final de semana, os pequenos ficam brincando enquanto ela, ás prestações, arruma a casa, passa a ferro, arruma roupa, etc etc etc… tudo isso, porque uma empregada domestica lá, para fazer o que as daqui fazem, custa uns 50 euros a hora (uns 140 reais), dormir então, é algo impensável. (nem adianta pensar em ir pra lá ser empregada domestica, porque o povo tá todo liso por causa da crise  rsrss)

Custa até a imaginar que um dia será igual por aqui né?

Mas essa realidade vai chegar, infeliz ou felizmente, depende do ponto de vista.

No outro dia, coloquei no instagram um post sobre casamento e reparei que a maior parte das brigas de casal depois que nascem os filhos, surge porque o marido ajuda pouco, ou não ajuda e a mulher é carregada de obrigações. Chegaram a questionar porque para a mulher tudo é obrigação e para o homem é ajuda. Quase uma pergunta retórica não é?

Pois é, antigamente, o homem trabalhava, a mulher cuidava da casa, criava os filhos e ainda paparicava o marido e assim as tarefas de certa forma eram divididas. Machismo também reinava, sejamos realistas rsrs, mas hoje cada vez mais, machismo (em exagero) é feio, esta fora de moda e é até deselegante,

Nos dias de hoje, a mulher trabalha tanto quanto o homem, tem um papel bastante ativo na sociedade mas continua a ter que cuidar da casa, dos filhos e do marido, fora todas as outras responsabilidades. Isso porque os nossos maridos foram criados para ser desse mesmo jeito!

Na cabeça deles, a sua obrigação é cumprida na perfeição, colocando dinheiro em casa e não deixando faltar nada pra ninguém. Eles não foram programados a nos "ajudar", nem a dividir tarefas e quando exigimos deles, é quase inevitável que surja a briga. Mas porque só agora, depois que os filhos nascem é que as coisas pioram?

Porque antes não exigíamos tanto. Digo mesmo que quase não exigíamos  Antes eles eram os nossos "bebês". Como mulheres, somos programadas a "cuidar", e até os filhos nascerem, cuidávamos deles quase como filhos. Por isso se diz que o homem sempre procura uma mulher semelhante a mãe. Ele inconscientemente faz um tipo de troca. (A maioria, tá gente, homens que tiveram boas mães e isso está provado rs)

Então mamães, cabe a nós rever conceito de educação, retirar essa educação patriarcal incutida na nossa sociedade, e ensinar os nossos filhos a ajudar  no que for preciso.

Isso não vai fazer deles menos meninos, muito pelo contrario, isso vai fazer deles, futuramente, grandes homens!

Hoje em dia, contam-se pelos dedos, quantos são os maridos que ajudam a arrumar uma casa, que arrumam a roupa, que cuidem sozinhos de um  bebe para que a mãe possa descansar. Está cada vez melhor, mas ainda está longe de ser regra geral.

Não estamos aqui a querer que o homem faça todo o papel que a mulher sabe fazer, mas gostaríamos de não ser tão sob carregadas. Que houvesse uma maior parceria, onde ambos soubessem dividir tarefas para que todos vivam em paz.

Casamento é uma parceria, e se cada um rema para o seu lado, ninguém chega a lado nenhum, ou melhor, chega… a um "belo" divorcio!

Então diretas ao ponto, onde podemos mudar?

Podemos ensinar os nossos filhotes a fazer uma cama quando se levantam.

Podemos brincar com eles de fazer comida, fazendo um bolo, ensinar a que levantem o seu prato ou toda a mesa.

Quando estivermos a limpar a casa, pedir que nos ajudem, dando um pano e ensinando a limpar o pó e isso não é vez por outra, é fazer disso um hábito, fazer disso, uma regra.

Parece absurdo? Talvez para os dias de hoje sim, mas tenha certeza que não para os dias de amanha.

Costumo dar este exemplo:

Quantas de vocês tiveram dificuldades em arrumar uma empregada ou uma babá? Se não tiveram, com certeza já ouviram alguma amiga reclamar do quanto está difícil  isso porque as pessoas cada vez menos se querem sujeitar a esse trabalho. Preferem estudar e enquanto isso trabalhar em lojas do que limpar a casa dos outros.  Sentem-se explorados e cada vez mais querem lutar por uma vida melhor, então a tendencia é a que as "fadas do lar" sumam. As que quiserem seguir essa "carreira" irão cobrar caro, muito caro e nós infelizmente não podemos prever se nossos filhos terão condições suficientes ou não para que possam pagar, a vida dá muitas voltas.

Então mamães, acho que não os vamos estar prejudicando, muito pelo contrario,

No entanto, acho que não é só a educação dos meninos que precisa ser revista, a das meninas também.

Quantas meninas eu não vejo andarem com babás atrás, onde a menina bagunça e a babá arruma? Com meninos também, mas menina necessita de ser mais protegida, gosta de andar mais acompanhada, e ter alguém para brincar, enquanto o menino sabe melhor brincar sozinho.

Isso não é querer paparicar os seus filhos, nem querer o melhor para eles! Fazendo isso estamos prejudicando-os de certa forma quanto ao seu futuro, pelos mesmos motivos acima descrito com relação aos serviços domésticos.

Como eu falei, não vão haver mais secretárias, não vão haver mais babás!

Sei que muitas de nós não tem outra opção, e a babá é algo indispensável, mas ter babá não quer dizer ter uma faz tudo atrás o tempo todo. Uma reciclagem na babá também precisa ser revisto rs, porque as que são boas, são carinhosas e fazem questão de fazer tudo para eles, para que eles estejam felizes e não fiquem magoados com elas. Mas existem varias formas de cuidar bem, e de certa forma, elas também contribuem para a educação deles.

No outro dia, vendo uma menina brincar de boneca, vi quando a boneca fez coco na fralda, (essas bonecas modernas de hoje em dia rs), sabe o que a menina fez?

Pegou na boneca, deu para a sua babá e falou: "Mudar a fralda não é coisa de mãe, quem muda fralda é babá!"

Impressionadas? Pois é, também fiquei! Sei que isso também vem muito do tipo de mãe, mas é mais comum do que pensamos.

Então vale ou não vale repensar na nova forma de educar?

9 thoughts on “Educando meninos e meninas para um novo mundo

  1. Maria
    28 de Janeiro de 2013 at 20:41

    Muito bom seu post e muito pertinente seu posicionamento! Parabéns!! Nasci e fui criada entre 3 irmãos, incluindo um que é meu gêmeo. Os dois mais velhos, criados nesse modelo machista, muito forte no nordeste, infelizmente, nunca sequer tiraram um prato da mesa. Hoje são pais e não ajudaram quase nada suas mulheres quando os bebês eram pequenos. Não trocaram fraldas, não deram a mamadeira da madrugada, arrumar as meninas então, nem pensar.
    Hoje sou mãe e vejo o quanto isso é valioso. Meu marido é um pai nota 1000, eu brinco que se eu ficar fora por um mês minha filha nem sentirá minha falta. E isso não tem preço, tanto eu sei que posso contar com ele pra tudo, como ele e minha filha desenvolvem assim um laço sem igual, aproveitando e vivendo cada fase com muita proximidade. Devo isso ao fato dele ter ido morar sozinho muito cedo, e aprender que não é fácil. Meu irmão gêmeo e eu viemos para São Paulo e moramos juntos e sozinhos por 3 anos, e vejo nele um futuro pai maravilhoso, muito diferente dos meus 2 irmãos mais velhos, que foram mal acostumamos e não viveram essa experiência de não ter empregada e estar longe da mãe (alias, perdemos nossa mãe há 4 anos, e nós os caçulas tínhamos apenas 20 anos). Tudo isso ajudou a valorizarmos uma casa limpa, a manter em ordem, a cuidar de suas própria coisas sem depender de mãe ou empregada (situação que os mais velhos não viveram pois já estavam casados).
    Enfim, é bem melhor não precisar passar por situações assim para sermos mais independentes, e pais mais participativos. Hj vejo meu marido, é uma exceção, e tenho esperança do meu irmão gêmeo, que com certeza seguirá a mesma linha.
    Minha filha é mulher, mas se Deus me conceder a benção de ter um filho homem, com certeza o educarei assim, para ser bom marido e bom pai.
    Perdão por escrever tanto, é um vicio pra mim!!
    Beijos e parabéns novamente pelo blog e o instagram, eu amo!!!

  2. Andressa Uruguay
    28 de Janeiro de 2013 at 21:23

    Mirela, muito bom o assunto!!! Eu tenho uma pessoa que me ajuda nas tarefas da casa 2 x por semana e tenho um baby de 5 meses para cuidar (minha mãe nao mora perto de mim, sou sozinha pra cuidar dele). Não é fácil não, viu? Mas graças a Deus tenho dado conta! Meu marido me ajuda sempre que pode e expliquei pra ele tb que muito ajuda quem nao atrapalha (pedi pra ele manter as coisas dele sempre organizadas!!!) e criei uma rotina pro meu dia. Penso que toda a família pode ajudar nas tarefas de casa. Já conversei com meu marido que quando o nosso filho tiver com 2 anos, ele já vai começar a participar das tarefas, como guardar brinquedos, ajudar a arrumar a caminha dele, colocar a roupa suja no cesto e a medida que ele for crescendo as tarefas vão mudando. Eu penso que não é pq ele é menino que ele não vai ter suas atividades, quero ele preparado para ser independente e quero ensina-lo a administrar seus dias e sua vida adulta. Bjs ! Estou amando o blog! Parabéns!!!!
    Ah…. Vc é portuguesa! Pensei que fosse de Recife!!!
    Eu tb moro em Recife, mas sou carioca…
    E por falar em Recife, qdo será nosso encontro????? Bjs! Fica com Deus!

    1. Alessandra
      30 de Janeiro de 2013 at 14:13

      Muito bom o post! Estou grávida de 35 semanas e concordo com gênero, número e grau. Espero que quando meu filhote nascer eu consiga conciliar tudo isso de uma forma equilibrada sempre ensinando pra ele o melhor! Bjs

  3. 1 de Fevereiro de 2013 at 10:25

    Oi Mirela!!
    Poxa, é a primeira vez que consegui um tempo para vir no seu blog, mas já amei. Como você sabe, sempre acompanho tudo pelo instagram, que é mais fácil e dá pra ver rapidinho pelo celular.
    Gostei muito do seu post. E como você sabe, eu escrevo muito rs (sou colunista de jornal), então lá vai eu:
    Aqui em casa, somos eu, meu marido e meus dois bebês. Fiquei grávida pela segunda vez quando o Beni tinha apenas 3 meses, foi um chororó pra todo lado. Pois bem, quando tínhamos apenas o Beni tudo era bem mais tranquilo. Engraçado que na época, eu achava minha vida um caos e eu era a mais ocupada das mulheres, mas hoje com dois, vejo como era bom com um. Então mamães, não reclamem do tempo por ter um bebê rsrs…. um bebê é fácil, difícil é dois!
    Meu marido sempre me ajudou em tudo, só tenho a agradecer a Deus por te-lo colocado em minha vida, senão eu não conseguiria sozinha. Com a Antonella, ele não troca fralda e nem dá banho, o resto faz tudo. Acho que por ser menina, ele fica com medo de fazer errado… sei lá!
    Temos uma pessoa em casa que me ajuda de segunda a sexta das 08 as 18h, mas ela faz tudo: arruma, limpa, lava, passa, cozinha, cuida dos meninos.. ou seja, eu tenho que estar por perto, porque uma ajuda a outra. Dá sim pra ficar sozinha com tudo isso, mas é muito complicado! Ela esteve de férias e voltou essa semana, graças a Deus, e eu fiquei super cansada. Não é nada fácil, você sabe bem…
    Fui criada para ser uma profissional e não esposa e mãe. Meus pais investiram no meu lado acadêmico. Hoje tenho uma empresa, que só vou uma vez por semana, trabalho de casa quando dá, escrevo para o jornal de casa, quando os meninos pegam no sono, já de madrugada… Quando casei nem sabia cozinhar e limpar a casa e isso era motivo de muitas brigas.
    Mas, o ser humanos é adaptável e hoje eu sei fazer tudo. É uma grande aventura você ficar em casa fazendo tudo com dois bebês, comida, depois arruma-los, se arrumar, arrumar uma bolsa cheia de comida hehehe e outras coisas e sair com os dois sozinha cantando desesperadamente no carro pra ver se a mais nova dorme e para de chorar!
    Ufa, e a minha mais nova realmente só para de chorar no meu braço ou no do pai. Não acostumei assim, não sei porque ela é assim, até porque já tinha outro bebê para cuidar.. enfim, todo banho com os dois me olhando e ela chorando. Que agonia!
    Mas, as coisas vão melhorando com o passar do tempo. As crianças vão crescendo e ficando mais independentes. Meu Beni começou na escola essa semana e o tempo da manhã estou conseguindo vir para a empresa, enquanto a Antonella fica com a minha secretária.
    Desde já Beni (1 ano e 11 meses, está fazendo hoje) joga no lixo as coisas que peço, come sozinho, dorme sozinho, é realmente um bebê nota 10, ao contrário da minha Ella que quer contato o tempo todo. Acredito que tudo vai melhorar com o tempo e minha oração é que o tempo passe logo rs e eu consiga respirar, trabalhar, me arrumar mais, ou simplesmente ficar deitada sem fazer nada (sonho meu rs).

    Parabéns pelo seu artigo, está muito bem feito. Amei! Sempre que conseguir um tempinho passarei por aqui.
    Beijos!

  4. Teresa Carrilho
    21 de Agosto de 2013 at 22:08

    Mirela,

    Muito bom, muito verdade.
    Do lado de cá do atlântico as coisas são bem complicadas como referes.
    Comecei a trabalhar quando a Maria Luísa tinha apenas três meses, das 8 às 13 numa escola com crianças e das 14 às 20 noutra escola com adultos. Uma hora de intervalo para ir de uma escola para a outra e de caminho passar em casa dos meus sogros para beijar a minha bebé, que ficavam com ela. O meu marido ficava com ela até ela acordar e depois levava para casa dos pais dele…… Ele estava em casa o dia inteiro, desempregado :-(
    Chegava a casa morta de cansaço, incapaz de ouvir o menor ruído e tinha toda uma casa para limpar, arrumar, roupa para lavar, engomar, arrumar, comida para preparar para o dia seguinte. Aos fins de semana tinha de preparar aulas para a semana seguinte, corrigir trabalhos dos alunos da semana anterior, avançar alguma comida para a semana, ir ao supermercado e tratar de toda a casa.
    À noite chorava de desespero por não estar com a minha filha, por não vê-la acordada, por não dar banho, por não dar colo e, à noite levava-a para a minha cama para a ouvir, sentir, cheirar.
    Quando ela começou a comer sólidos aos seis meses, a coisa só piorou, tinha de ser eu a preparar as sopas dela. Acordava ainda mais cedo e fazia as sopas que ela iria comer nesse dia.
    Foram seis meses….. Um dia, fui buscar a minha filha, que estava com quase 9 meses, a casa dos avós e ela não olhou para a minha cara. Brinquei, beijei, e nada, não olhou para a minha cara. No dia seguinte, demiti-me de uma das escolas. A minha filha pode não ter todos os brinquedos que EU gostaria, eu continuo a não ter qualquer tipo de ajuda, mas a minha filha agora já não é orfã de uma mãe viva!
    Hoje ela tem 26 meses, e diz “adoro-te mamã”, “cheiras bem mamã”, porque pode sentir, cheirar, olhar e saborear a mamã!
    Eu continuo a ter de fazer tudo sozinha e trabalhar fora de casa e a ser a melhor mãe que consigo. Pelos elogios que recebo das educadoras da escolinha onde ela está, acho que não me tenho saído nada mal!

    Beijinhos grandes.

    1. 22 de Agosto de 2013 at 17:02

      Brigado Teresa, por teres partilhado a tua experiencia. Sem duvida nao foi, nem é facil, mas tomaste a melhor decisão! :)

      Bjs cheios de saudades!!!

  5. Janaina Lisboa
    28 de Novembro de 2013 at 12:35

    Você abordou um ótimo tema no qual ainda nao tinha parado pra pensar, ja que sou mãe de um casal. Bjs.

  6. Vanessa
    28 de Novembro de 2013 at 12:44

    Eu tenho orgulho de ter vc como amiga … pois aqui compartilhas tudo o que passamos … Muito bom amiga , bjos tô louca para ver vcs …

    1. 28 de Novembro de 2013 at 19:16

      Amiga queridaaaaa… brigada pelo carinho.

      Devemos passar o Natal ai, mas espero ir antes disso! Tambem estamos morrendo de saudades de voces!!

      Mil beijoooos

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